A PENA E O PAPIRO
Uma pena e um papiro debatiam acerca das utilidades deles, não tardando para que o primeiro objeto arrotasse demasiado orgulho do ofício que lhe era atribuído.
“Serei
duradouramente útil ao nosso mestre”, dizia ela esbanjando confiança
inoportuna. “Não deves te orgulhar disso, pois bem sabes que apenas eu sou
longevo e tu não és”, respondeu tranquilamente o papiro.
“Veremos então quem de nós é, na verdade,
longínquo,” redarguiu confiante a pena. Certo dia, o escriba proprietário dos
utensílios revirou as gavetas da sua mesa, pôs-se a escrever uns documentos, de
tanto redigir, ele quebrou a ponta da pena, ficando bastante enfurecido com tal
revés e se desfez dela, adquirindo outra em poucos dias.
Já
o papiro, mesmo depois do escriturário ter finalizado o texto, foi sendo
preservado numa bem-feita gaveta separada, mantendo-se proveitoso por
remotíssimos séculos.
Moral:
É necessário entender os limites, posto que caso tentemos desafiá-los, isso
custará caro.
Claus Prolhoti
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