FUZILARIA À LA BRASIL

 A criança brincando na rua. 

Bem perto estará da opressão. 

Não sabe que ela é a sua. 

Rainha do Estado-Nação. 


Logo começa um tiroteio. 

Mergulhando o povo em frenesim. 

E a mamãe rápido veio. 

Gritando desesperada assim. 


“-Menino, passa pra dentro! 

Olha a bala correndo no centro!” 


Coitadinho! Outra coisa percebeu. 

Aquilo era só uma brincadeira. 

Dessas que sempre viveu. 

No bairro, no parque ou na feira. 


Sentiu sem dolo efeito. 

A sentença de morte se cumprir

 Pela bala encravada no peito… 

Fazendo o sangue espargir! 


Correu Dona Maria tão aflita. 

Quando toda a chacina terminou. 

Deu-lhe cruel desgraça a bala perdida. 

Mas ninguém sabe quem atirou! 


Que importa isso agora?

 Dor daquela nunca terminará. 

Pareço ver! Meu Deus! Ora... 

A própria Pietá!


 Lágrimas, velório, enterro. 

Vemos a imagem final. 

Assombrados pelos sons do aperro.

 Causador desse mal! 


Acabando esta história. 

Sem mocinho e sem vilão. 

Bradam nas oratórias. 

Meus concidadãos.


 “-Justiça! Justiça! Justiça!” 


Cada brasileirinho vivendo. 

Ao seu modo “Guarani”. 

Com seus corações dizendo. 

“O velho oeste é aqui!” 


Nossas angústias sombrias. 

Toldam nosso porvir.

 E em meio a esperanças vazias. 

Aguardamos o próximo. 

Tiroteio SURGIR!!

                                                                                                                               Claus Prolhoti

Comentários

Postagens mais visitadas