A Boneca, O Fantoche e os Vestidos
Um fantoche chorava copiosamente, quando uma coleção de vestidos o indagou querendo descobrir a causa daquelas lágrimas.
- Choro, pois sei que nunca terei o amor da boneca de porcelana.
- Tolice! Então iremos te ajudar, pelo que sabemos ela adora vestidos e todos nós cabemos perfeitamente.no corpo dela. Serviremos de presente para a tua amada, um de cada vez.
O pobre boneco aceitou a sugestão das vestimentas, presenteando a bonequinha com um lindo vestido azul, obtendo, dessa forma, recíproca atenção.
Na segunda oportunidade, ele a presenteou novamente, dessa vez, tendo oferecido outro belíssimo vestido, esse era tingido de vermelho.
Passou-se algum tempo, o fantoche aparentava ter conseguido êxito. Já estava enamorado da sua querida bonequinha! No entanto, tal relação se manteve sólida enquanto havia mais vestidos que pudessem ser transformados em presentes. Só que, num malogrado dia, a coleção de vestidos enfim terminou, ficando esgotada por completo. O pobrezinho fantoche foi impossibilitado de presentear com alguma vestimenta, oferecer algumas outras coisas etc; Terminou repudiado pela nova namoradiha dele.
- Não tens mais vestidos?! Esqueça-me de uma vez por todas!
Entristecido, o fantoche choramingava pelos cantos, remoendo os seus dissabores, lembrando da linda bonequinha que outrora amava.
De repente, viu um vestido preto caído ao chão, deduzindo que a veste era integrante daquela malfadada
coleção. Disse furiosamente.
- Teus colegas me ludibriaram, me fizeram pensar que eu havia conquistado o coração da boneca!
O vestido enegrecido redarguiu em defesa dos seus companheiros de seda.
- Perdoe-me, caro colega, mas o engano foi teu. Não percebeste que a boneca estava apenas interessada nos vestidos, somente neles. Caso soubesses disso, talvez pudesses ter evitado esses momentos cheios de pranto. Oh! Sinto muito, mesmo com este amor tão sincero, tu foste rejeitado pelo teu xodó interesseiro. Caramba!
Moral: Assim como entre os humanos, os enganosos amores manifestam desejos materiais insáciaveis.
Claus Prolhoti
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